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13 abril 2008

O que é arte e o que não é


No mês que vem, a famosa casa de leilões Christie's de Nova York, vai leiloar o quadro mais caro de um artista ainda vivo.

A obra é uma pintura de uma modelo retratada pelo artista britânico Lucian Freud - que deve arrematar mais de R$ 56 milhões. Isto fará com que ele seja o artista que ganhou mais dinheiro num leilão desta casa, e que ainda não morreu.

Sue Tilley, a modelo, quando a obra foi pintada, em 1995, trabalhava como fiscal de benefícios pagos pelo governo, disse que não era o dinheiro que a motivava, mas sim os "adoráveis almoços" e a convivência com o artista. Bom, ela ganhou apenas 20 libras, cerca de R$ 66, por dia para posar.

Ainda no CEFET, eu e meus colegas de Artes Plásticas, pintamos inúmeros ensaios de uma chamorsa e agradável modelo que a nós se mostrava. Suas curvas e volumes tinham muito em comum com a obra de Lucian Freud. A nossa Marlene poderia ser uma tela famosa?

Pense nisto: O mercado de arte é quem diz o que é arte e o que não é.

29 março 2008

Arte pública e educação

Eduardo Srur, é um artista que utiliza seu talento para educar o olhar e consciência das pessoas. Agora, em São Paulo, às margens do Rio Tietê ele exibe suas 20 garrafas PET infláveis e gigantes.
Ele diz que "a intenção foi associar o objeto com a Semana da Água e chamar a atenção para a poluição da água".

O trabalho faz parte da mostra Quase Líquido organizada pelo Itaú Cultural e que vai durar até o dia 25 de maio de 2008, em São Paulo. A curadoria é de Cauê Alves.

Para abordar as questões da vida urbana, 14 artistas trazem ao público 22 obras. Vale conferir

Fotos: UOL

20 março 2008

Tudo é arte

Depois da performance de Joseph Beuys, 1978, "Everyone an artist" (Todo mundo é artista), os artistas sentiram-se libertos.

Agora, espalhando pela cidade adesivos "ISTO É ARTE!", colados em vários objetos e construções e lugares, Diogo Braga ensaia um outro discurso libertador: arte é o que você disser que é arte.

Flagramos um destes objetos em uma árvore recém cortada.

O conceito é simples, a idéia é democrática e de grande apelo social. Reproduza seus adesivos e cole aonde quiser. Esta obra não tem dono e nem suporte definidos. É de todos, para todos.

Isto é arte. Tudo é arte?
Posted by Picasa

13 março 2008

Metamorfose

Hoje senti a energia de um amigo especial, muito abalada. Ele anda quieto, com o olhar perdido e o discurso calado. Parece preocupado ou zangado. Mas é algo tão íntimo que não adivinho. Não está expresso em seus resmungos que querem calar pensamentos e matar as tentativas de diálogo. O garoto expressivo e inabalado que conheci, parece estar prestes a passar por uma daquelas etapas da vida que transformam o menino em homem. Que não se perca o menino dentro de você, doce bardo fora de época.

04 setembro 2007

Vuk Cosic para sentir no dedo

Sai procurando informações na internet que pudessem validar o que Florence de Meredieu afirma em seu livro acerca dos primeiros trabalhos de Net Art. 1996-97 seria o marco para o aparecimento de trabalhos que se pode incluir nesta categoria. Assim, deparei-me com Vuk Cosic. Um artista da Slovenia cuja atuação é basicamente voltada para o uso de mídias eletrônicas.

O site dele é uma boa maneira de sentir isto no dedo. Florence afirma que neste ano, quando Iago ainda mamava, Vuk criou um projeto de site totalmente destituido de caráter utilitário e comercial da internet. Do contrário, ele intencionava subverter o propósito e a finalidade da web.
Esta atitude criou uma farta discussão em fóruns digitais e chamou atenção para o potencial de expressão artística da internet.

Como sou atrevida, mandei um e-mail pra ele < vuk.cosic@gmail.com > pedindo ajuda para meu trabalho de conclusão de curso. Tomara que o cara leia antes de eu fazer a defesa. Será que o Cosik se garante, mesmo? Só no dedo pra saber. Ops! pra sentir! [ http://www.ljudmila.org/~vuk/ ]

15 julho 2007

A web arte não existe mas as fotos estão lindas


Caraca, faz tempo que não escrevo. Eu e meus amigos fizemos umas fotos muito diferentes. Usamos o scanner para fazer auto retratos e dos outros colocando diretamente o scanner sobre nossos corpos. E o resultado tem sido impressionante.

Mas o meu trabalho de web arte não sai da concepção. As dificuldades só aumentam e ficam mais feias e assustadoras. A web arte está uma droga.

Acho que não vou conseguir me formar por que não consigo me concentrar e nem produzir. Esta é a triste verdade. Sempre achei que quando chegasse este momento eu estaria pronta. Mas a lamentável constatação é que não estou. E não vou a lugar algum mais uma vez.

Mas as fotos experimentais estão sensacionais.

21 maio 2007

Mas afinal, o que é arte?

Já aconteceu de você chegar numa exposição de arte e, atônito, se perguntar: isto é arte? Se sim, fique tranquilo, por que não é o único!

Quem cresceu cobrindo as linhas pontilhadas que a tia dava na pré-escola, desenhando paisagens e animais que brincavam com crianças felizes, estranha mesmo quando vê um cavalo dentro de um museu. Ou um vídeo em que uma mulher agoniza no leito de morte; uma sala cheia de mulheres usando somente sapatos de salto alto; um sujeito que pede a um amigo que lhe dê um tiro no dia da abertura da exposição. Ou ainda, quando ouve falar que um cara embrulhou em plástico o parlamento alemão (A foto acima: 1999. Os artistas Christo e Jeanne-Claude embrulharam o Reichstag após um incêndio que ocorreu em 1933).

A arte sempre foi o resultado do seu tempo e agora não é diferente.Sempre dependeu das mídias e tecnologias disponíveis. E os artistas sempre foram os representantes do inconformismo, da necessidade intrínseca do ser humano de expressar-se de todas as maneiras.

Dando uma rápida pincelada para definir a arte atual, ela é algo mais que apenas beleza. É provocação, expressão, manifestação, reflexão, crítica. O objetivo principal da arte, no meu ponto de vista, é causar um sentimento humano. Seja de atração, repulsão, empatia ou estranhamento. O que valoriza ou não um trabalho é a maneira como isto é feito. Depende da habilidade do autor, do contexto e da motivação. Violência, imigração, etnias, gênero, marginalização, sexualidade todos são temas comumente abordados. Importa, no fim das contas, a história que é inventada ou contada. A atitude por trás do trabalho.

Estamos em uma sociedade que produz, consome e transmite imagens freneticamente. Assim, a expressão artística nos encerra, nos cerca e nos faz protagonistas. E a arte serve para nos ajudar a compreender a nós mesmos e o mundo que nos acolhe.

13 maio 2007

Artista, não me confunda!

"A arte é a coisa mais concreta do mundo, e não há justificativa para confundir a mente de qualquer pessoa que queira conhecê-la mais profundamente." Rudolf Arnhein assim introduz a última edição publicada de seu famoso livro Arte e Percepção visual: uma psicologia da visão criadora. Estaria ele provocando os que ousam transformar a arte em uma atividade confusa e despropositada? Estaria ele a incitar o debate sobre o significado do modelo artístico dos dias atuais? Seria uma resposta aos defensores de uma arte conceitual pura, sem reflexões no mundo real?

Penso que seu objetivo não era um nem outro, mas apenas este: de tratar de nos fazer pensar sobre o caminho que a arte tem tomado nos dias atuais. Ele morreu em 1997 e pode testemunhar e profetizar para onde caminhava toda aquela avalance de mudanças comportamentais dos artistas. Ele nasceu no início do Século e presenciou as transformações mais significativas do mundo da arte: do moderno ao contemporâneo. Ele era alemão e morava nos Estados Unidos.

Eu estou no Ceará, no Brasil e a realidade é outra. Temos uma realidade cultural totalmente diferente da que acolheu Rudolf e os artistas que ele conheceu. Mas meus colegas artistas tem produzido obras de apelo universal e que se colocam no mais alto nível da arte. Como explicar a ressonância do significado destas obras contemporâneas, sem considerar as variáveis do nosso tempo como tecnologia, abolição de fronteiras, acesso à informação em grande volume e tempo recorde? Não dá.

Voltando ao ponto de partida deste artigo, embora devamos estar atentos para as direções que a arte contemporânea tem apontado, não podemos ignorar o público e seu apelo por significado. Uma obra de arte, mesmo sendo de natureza conceitual, deve ter um diálogo com o observador sob pena de não ter valor por não ser apreciada. Nossos sentidos precisam de uma busca, de uma razão para olhar, analisar, perceber e admirar.

Eu vou ao Museu para ter prazer estético e sensorial. Para esquecer dos problemas e mergulhar em um mundo diferente, que deve ser essencialmente interessante e quero encontrar lá trabalhos que satisfaçam estas minhas necessidades plenamente. Se os artistas ignoram estes preceitos, não teem competência para estar num museu e nem para chamar de arte o que produzem. Então artistas, não me confundam. Descompliquem. Não tentem fazer da arte uma coisa sem sentido e sem valor.

14 dezembro 2006

Qual é a sua fobia?

A idéia de trabalhar com fobias surgiu de um sonho. Mas soh pude perceber sua importância quando conversei com um jovem e talentoso amigo e fotógrafo, Diogo Braga.
aurileide: eh que eu tenho pavor de agua. Entao quero trabalhar o meu medo atraves da
arte, usando a fotografia como suporte. Meu maior medo eh morrer afogada. E me ver assim, morta, submersa, eh um
choque, me dah pesadelos
Diogo: nossa, a ideia é muito boa... nunca vi um trabalho pessoal d fobia
aurileide: faz duas noites que tenho pesadelos.... com esta imagem
aurileide: ontem, eu estava numa praia, q d repente virava ilha, de repente rolava um
tsunami e a ilha ia encolhendo... encolhendo. ateh que a agua me cobria... foi loucura
Diogo: ai...
aurileide: acordei me afogando....
Diogo: o mais perto disso q eu cheguei foi sonhar q eu tava queimando, quando acrodei,
o sol das 9 da manhã tava batendo direto no meu rosto
aurileide: ahahahahaha
aurileide: mas foi uma sensacao incrível, não foi?! vc estava realmente quente?
Diogo: foi... eu lembro q no sonho eu tava queimando de verdade e passava a mão na
minha pele e sentia um formigamento msm
aurileide: ai... esses sonhos reais!!!

Diogo começou a falar de sua fobia, que era oposta da minha: o fogo. E desta conversa descompromissada e ilustrada pelo primeiro ensaio, surgiu minha pesquisa que originou a série de fotos intitulada FOBIA.

Imagens deste trabalho já foram exibidas no Laboratório de Artistas em Novembro de 2005 e no Salão de Abril em Abril de 2006.
Para ver mais fotos: http://picasaweb.google.com/aurileide/FOBIA
Para ver mais sobre o trabalho de Diogo: http://www.urobolus.cjb.net

Então agora, vamos dar continuidade ao papo sobre medos para aumentar meu banco de dados sobre medos. Qual é a sua fobia? Conte pra mim.